terça-feira, 16 de junho de 2009

Voltar a crescer...








* Salvador Dali e sua incrível expressão!

Há quase um ano, minha árvore favorita, pela qual passo todos os dias no caminho para a escola em que meu filho estuda, foi brutalmente podada.
Por ter crescido demais, seus galhos estavam se enroscando nos fios elétricos e encobrindo o semáforo da avenida. Um perigo, sem dúvida!
O fato é que não podaram os galhos, eles na verdade tosaram a árvore com máquina zero, sabe? Não sobrou nenhuma folhinha para contar a história!
Fiquei tão chocada ao vê-la daquele jeito, completamente nua, que passei a olhar todos os dias apenas para as raízes da grande árvore.
E assim os meses se passaram e meu olhar a cada dia se fixava num dos detalhes daquelas raízes gigantescas e profundas.
Na semana passada, percebi folhas, muitas folhas no chão e, quando notei, lá estava ela outra vez, exuberante, cheia de folhas e galhos sacudindo ao vento.
Não sei explicar, mas, da minha alma brotou um sorriso que meus lábios refletiram e senti meu coração se preencher das seguintes reflexões: “Por mais que alguém seja levado a extremos por uma “poda brutal”, o que é ele de verdade sempre volta a crescer; e muitas partes dele, antes desconhecidas, surgem também...”
Tenho certeza de que você, assim como eu e minha árvore preferida, passou por muitas “podas” durante a vida.
A “poda brutal” acontece pelo fim de um relacionamento no qual apostamos todas as fichas, por uma traição, pela perda de um emprego, por uma doença que nos fez parar projetos ou batalhas, por um sonho que se desmoronou feito castelo de areia...
Nesse período que parecia não ter fim, o terror se apossou das nossas almas, o amanhã se tornou um desafio imenso, algo parecia morrer, nada parecia restar ou preencher, nada inspirava ou sacudia e a dor latejava dentro do peito. Lembra da última vez em que esteve assim? Dá até para sentir o “ cheirinho” lá do fundo do poço, não é?
Porém, com o passar tempo, se permitimos que a vida entrasse de novo, se nos permitimos agarrar-nos a ela, seja pelo simples desejo de reconstruir ou pelo cansaço que o sofrer causa, pouco a pouco fomos nos refazendo, ficando mais fortalecidos, mais amadurecidos e acabamos de novo encontrando o “ sentido”.
Se isso ainda não aconteceu com você, talvez seja a hora de sacudir a poeira e seguir em frente. Sempre há uma nova chance, basta desejá-la de verdade e se ver livre do medo, principalmente do “medo em semente”, esse é o pior, porque está bem escondido. É preciso remover a terra fértil das lembranças para perceber se as sementes ainda estão lá.
Voltar a crescer depois de uma poda brutal dá trabalho, consome nossa energia, mas é possível e natural como a própria vida, que insiste em aparecer até nos lugares mais improváveis, como aquelas plantinhas que saem do concreto.Que teimosia para existir!!!
A vida cresce sem pedir licença, nos invade, nos arrasta, nos atira de penhascos, faz a ventania nos curvar até o chão, mas, depois, no próximo ciclo, ela nos acarinha, nos acolhe, nos estimula ao próximo passo, nos embala em seu solo fértil e morno.
A vida natural não é um quadrado ou uma linha, a vida é ampla, infinita, cheia de mistérios e surpresas.
Pessoas entram e saem dos nossos caminhos, ciclos começam e terminam, empregos se dissolvem como algumas relações, afinal, temos muito a explorar, muito a aprender, sentir e viver, não é para isso que estamos aqui?

Só mais uma coisa: Sabe qual é a diferença essencial entre as árvores e as pessoas?
Elas não ficam encaixotadas na própria bolha, com pena de si mesmas ou se consumindo de raiva de quem as machucou.
Elas simplesmente reúnem todas as suas forças e energia, abrem-se à vida e voltam a crescer. Elas simplesmente se permitem voltar a crescer.
Nós, muitas vezes, nos agarramos ao que nos foi cortado.
Fazemos disso nosso “viver”, arranjamos modos de defesa que nos transformam em seres “engessados” ou agressivos demais; pensamos tanto e por tantos anos a respeito da “poda” e com tanta dor e amargura que, muitas vezes, acabamos por recriar a mesma “poda” em algum lugar do futuro.
Esses são os nossos “padrões”. Padrões são como ciclos de podas que atraímos para nós.
“Quantas situações parecem se repetir na sua vida?”
As respostas a essa pergunta costumam evidenciar os principais padrões de sofrimento e dor que carregamos em nosso subconsciente - local onde guardamos as sementes do amanhã.
Tornar-nos conscientes das “sementes” que abrigamos em nosso interior se traduz em libertação. Não temos mais a necessidade de aprender pela dor, podemos fazer escolhas novas, através de um estado interior mais “desperto” e menos automatizado.

Tornar-nos conscientes dos galhos predispostos a crescer na “direção errada” quando ainda em embrião - ou em estado embrionário - e evitar que se desenvolvam nos protege da auto-sabotagem e do desgaste de trilhar um caminho distante da alma. (“errada” é a escolha contrária ao sentido da alma).
Vale lembrar que as árvores não tem escolha, não conseguem avaliar que, se crescerem para determinado lado, começarão a enroscar seus galhos nos fios elétricos e com isso atrair uma provável poda. Quanto a nós, temos sempre infinitas escolhas!
Refletir sobre as “podas brutais” sofridas ao longo da vida e sobre o resultado delas é um bom hábito.
Refletir sobre esses resultados e sobre o que se pode fazer para voltar a crescer na direção que faz sentido para a alma é a escolha de alguém que se descobriu criador da sua própria realidade.
Desejo-lhe folhas, tronco e galhos fortes, e raízes profundas para sustentá-los e nutri-los.

Um abraço grande,
Adely

* Elaine, obrigada pela colaboração nesse texto!

domingo, 24 de maio de 2009

A sabedoria de Merlim...


Sabe, quanto mais desperto para o fato de que viver a minha vida significa " sentir a minha vida" e não pensar ou tentar controlar; mais me surpreendo com a magia que é viver.
Passei muitos anos acreditando, como a maioria das pessoas que conheço,que viver era sinômino de expiação ( no fundo punição!), dor e sofrimento. Que era essa a " sina" da humanidade e que nada podia ser feito à respeito, exceto fazer o bem e rezar a
"Deus", para que Esse Olhasse para mim e me perdoasse pelos meus pecados.
Nunca engoli muito bem essa história toda, porque sempre acreditei em uma Força Amorosa que não pune, nem castiga. Ficava faltando porém, uma explicação para a razão de tanto " sofrer".
Lá pelos meus quinze anos de idade, passando os olhos pelas prateleiras de um sebo, me deparei com o título: " A Mente e a origem do sofrimento", era algo mais ou menos assim e falava sobre o conceito zen: " A Mente é o Todo e o Todo é a Mente".
Desse livro extraí uma frase que nunca mais consegui tirar da minha cabeça: " A origem de todo o sofrimento do homem está em sua mente, cuja mente se liga, sem ele saber, a todas as outras mentes. Tanto do que restou ( em energia) da mente dos que o antecederam, quanto de toda a humanidade".
Havia mais uma que me acompanha até hoje: " A mente faz o isolamento e a separação, mas você não está de fato separado de todo o resto. Tudo o que você vê fora é um reflexo do seu mundo interior. A paz só poderá ser encontrada quando você compreender verdadeiramente essa questão."
Um mundo novo se descortinou à minha frente. Óbvio que nos anos que se seguiram,
" esqueci" e relembrei infinitas vezes esses conceitos. Porém, ainda hoje recebo mais mais "sinais" do Universo, que me ajudam a aprofundar esses dois conceitos.
Há algum tempo atrás fui " chamada" novamente para uma prateleira de um sebo. Na verdade, eu não tinha nenhuma intenção de passar por um, naquele dia atribulado e caótico. Eu andava a passos largos, atrasada para um compromisso, quando passando por uma vitrine, "algo" em mim alertou: " Entra!". Caminhei mais uns passos: "Entra...".
Parei e voltei até aquela vitrine, era um sebo!
Entrei sem saber o que estava procurando, bem legal isso, não acha?rs
Decidi relaxar e deixar os olhos correrem, depois de uns dez minutos de busca, veio: " Esoterismo". Eu ainda pensei: " Mas há muito não leio nada desse gênero, já esgotei minha busca e saciei meu interesse!"
Repetiu!..cheguei para a atendente e disse: -" Onde está a sessão de esoterismo?"
Ela me disse: - " Aqui, bem atrás de você!"
Meus olhos foram direto para o seguinte título: " O caminho do mago" do Deepak Chopra.
Ao terminar o livro, fiquei maravilhada com o conteúdo e com a menira como ele veio parar nas minhas mãos, o livro certo, na hora certa!

Decidi compartilhar um dos trechos do livro que mais gosto:

“Todos possuímos um eu-sombra que é parte da nossa realidade total.
A sombra não está presente para magoá-lo e sim para mostrar-lhe onde você está incompleto.
Quando a sombra é abraçada, ela pode ser curada. Quando ela é curada, ela se transforma em amor.
Quando você puder viver com todas as suas qualidades opostas, você estará vivendo seu eu total como o mago.

-Você jamais parece se sentir solitário- comentou Artur. Havia uma ponta de inveja na voz do menino. O mago perscrutou-o atentamente.
- É verdade, é impossível ficar sozinho.
- Talvez para você, mas...- O menino se conteve, mordendo os lábios. Mas seus sentimentos levaram a melhor e ele desembuchou: - É bem possível sentir-se sozinho. Não há ninguém na floresta a não ser você e eu, e apesar de eu amá-lo como se você fosse meu pai, existem momentos...- Sem saber mais o que dizer, Artur parou de falar.
- É impossível alguém ficar sozinho- repetiu Merlin com mais firmeza.

A curiosidade levou vantagem sobre os sentimentos de Artur.

- Não vejo o por quê- disse ele.
-Bem, existem apenas duas classes de seres com os quais precisamos nos preocupar nesta questão- começou Merlim. –Os magos e os mortais. É impossível para os mortais ficarem sozinhos porque vocês tem muitas personalidades lutando dentro de vocês. É impossível para os magos ficarem sozinhos porque eles não tem nenhuma personalidade dentro de si.
-Não compreendo. Quem está dentro de mim mesmo?
-Em primeiro lugar, você precisa perguntar quem é essa coisa que você chama de mim mesmo. Apesar da sensação de que você é uma única pessoa, você é na verdade um composto de muitas pessoas, e suas múltiplas personalidades nem sempre se dão bem umas com as outras; aliás isso está longe de acontecer. Você está dividido em dezenas de facções, cada uma lutando para ocupar o seu corpo.
-Isso acontece com todo mundo?- indagou o menino.
- oh, sim. Enquanto você não encontrar seu caminho para a liberdade, você será mantido como refém pelo conflito existente entre suas personalidades internas. Segundo minha experiência, os mortais estão sempre deflagrando guerras interiores que envolvem todas as facções possíveis.
-Ainda assim, sinto que sou uma só pessoa- protestou Artur.
-Não posso fazer nada a respeito disso- replicou Merlim
-A sensação que você tem de ser uma única pessoa nasceu do hábito. Você poderia, com a mesma facilidade, ver a si mesmo da maneira como descrevi. Minha maneira é mais verdadeira, porque explica por que os mortais parecem tão fragmentados e conflituosos para o mago. De um modo geral, é tão desconcertante encontrar um mortal, que freqüentemente acredito que estou falando com toda uma aldeia em vez de com um único pacote de carne e osso.

O menino mostrou-se pensativo.

- Por que então eu me sinto tão solitário? Porque, Mestre, para dizer a verdade, é assim que me sinto.

Merlim olhou para seu discípulo com o9lhar penetrante.

-É de causar espanto que com todas essas pessoas lutando para ocupar seu corpo você possa em algum momento se sentir sozinho. Mas cheguei à conclusão que a solidão existe porque as pessoas existem. Enquanto existir “ eu” e “ você”, haverá um sentimento de separação, e onde existe a separação existe necessariamente o isolamento. O que é a solidão senão outro nome para o isolamento?

-Mas sempre haverá outras pessoas no mundo- protestou Artur.
- Você está certo disso? – replicou Merlim- Sempre haverá pessoas, isso é inegável, mas serão elas sempre “outras pessoas”?



COMPREENDENDO A LIÇÃO

Se você olhar atentamente para dentro de si, encontrará muitas personalidades competindo para usar seu corpo. Por exemplo, o conflito entre o bem e o mal dá origem a duas personalidades chamadas “ santo” e “pecador”. Elas nunca param de discutir; um dos lados espera eternamente ser suficientemente bom para satisfazer a Deus, e o outro sente eternamente impulsos “ maus” que nem sempre podem ser reprimidos.
A seguir estão os papéis com os quais você se identifica-* filho, pai, irmão, irmã, homem, mulher, sem falar na sua profissão: médico, advogado, padre, assistente social infantil, e assim por diante. Cada um desses fez uma reivindicação dentro de você, elevando a voz acima da dos outros a fim de apresentar um limitado ponto de vista. Repare que nem mesmo tocamos no seu senso de nacionalidade e identidade religiosa- esses sozinhos podem causar infinitos problemas.
Essas personalidade estão geralmente em conflito. O que chamamos de felicidade é um estado no qual grande parte desse conflito desaparece. Quando você nasceu não havia uma guerra dentro de você, porque os bebês não estão em conflito por causa de seus desejos. As vozes do bem e do mal, por exemplo, são inexistentes até o bebê ter idade suficiente para assimilar esses conceitos dos seus pais.

- Você não pode se tornar um mago enquanto não pensar novamente como um bebê- declarou Merlim.
- Como é que um bebê pensa? – perguntou Artur.
- Basicamente sentindo. O bebê sente quando está com fome ou com sono. Quando as sensações são apresentadas a ele, o bebê é capaz de sentir se elas lhe trazem prazer ou dor, e ele reage em conformidade com o que sente. O bebê não se sente inibido por desejar o prazer e querer evitar a dor.
- Não vejo nada de especial nisso- disse Artur. – Os bebês apenas choram, riem, comem e dormem.
- Muitos mortais teriam, sorte se fizessem isso depois de adultos- murmurou Merlim. – estar aqui neste mundo num estado de contentamento é uma verdadeira realização.

O instinto inocente do bebê recém-nascido a respeito do que parece bom ou mau rapidamente se perde. Começam a surgir vozes dentro dele; no início, a voz da mãe dizendo “ sim” e “ não”, “ bebê bom” e “ bebê mau”. Quando sim, não, bom e mau estão em concordância com o que o bebê quer, não existe dano. Mas inevitavelmente acaba surgindo um conflito entre as necessidades do bebê e o que seus pais esperam. O mundo interior e o exterior começam a colidir. Em breve são semeadas as sementes da culpa e da vergonha; o temperamento destemido do recém-nascido é manchado pelo medo. O bebê aprende a duvidar de seus instintos. O impulso interior de “ É isso que eu quero” se transforma na pergunta: “ É aceitável que eu queira isso?”
Passamos a vida nos esforçando para voltar ao estado de auto-aceitação no qual naturalmente nascemos. Durante anos as perguntas se multiplicam, e empurramos nas cavernas secretas e nos porões escuros da psique a maior quantidade possível de dúvidas, vergonhas, culpa e medo. Esses sentimentos permanecem vivos, por mais profundamente que os enterremos. Todos os conflitos internos que temos tanta dificuldade em conciliar reduzem a um eu-sombra.

- Sua corte é muito interessante- comentou certa vez Merlim com Artur, depois de este se tornar rei.- Eu não percebera que vocês, mortais, tem todos o mesmo emprego.
- É mesmo?- perguntou Artur. – E qual é ele?
- Carcereiro- replicou Merlim, recusando-se a falar mais sobre o assunto.

Aos olhos do mago, somos todos carcereiros do nosso eu-sombra. A mente inconsciente é a prisão onde energias indesejáveis estão encarceradas, não por imposição, mas por terem sido marcadas por anos de sim e não, bom e mau.

O eu-sombra é apenas outro papel ou identidade que trazemos conosco, mas nós não o apresentamos em público. Na maior parte do tempo, o eu-sombra está excessivamente confuso e amedrontado para ser mostrado à luz do dia. Mas não existe nenhuma dúvida de que ele existe, pois cada um de nós inventou a própria sombra, uma persona cuja tarefa é conduzir todas as energias das quais não conseguimos nos descartar. Para o recém-nascido, o problema de se agarrar a sentimentos “ maus” ou pouco saudáveis não existe. No instante em que você lança algo negativo no ambiente do bebê, ele chora e se afasta.
Essa é uma reação extremamente saudável, porque ao se expressar tão livremente, o bebê é capaz de livrar-se de energias que de outra maneira se agarrariam a ele. Quando crescemos, contudo, aprendemos que nem sempre é apropriado nos entregarmos a esse tipo de manifestação espontânea. Em nome da polidez e do tato, de conhecermos nosso lugar, ou ainda de fazer o que nossos pais mandaram, cada um de nós aprendeu a se agarrar a energias negativas. Nós nos tornamos baterias com uma vida útil cada vez maior, até que agora, como adultos, nos agarramos a uma raiva, ressentimento, frustração e medo com anos de existência. O pior de tudo é que nos esquecemos do instinto de descarregar nossas baterias."


* O termo " mago" refere-se ao homem que vive segundo seu " Eu Interior".
" Mortais" aqueles que vivem segundo a mente que é limitada e que está baseada apenas naquilo que vê, controla e compreende.

Um abraço grande,

Adely

domingo, 17 de maio de 2009

O poder do cativeiro


Passeando outro dia sem rumo pela internet, encontrei um artigo sobre o comportamento dos animais em cativeiro e a aparente perda do contato com os instintos.
Comentava sobre a depressão, a perda do apetite, a dificuldade na reprodução, o alto índice de abortos espontâneos em algumas espécies e tudo mais o que já sabemos: “bicho foi feito pra viver em liberdade!”.
Terminei de ler o texto e fiquei ali, sozinha e em silêncio, deixando a mente correr solta e atenta aos meus sentimentos, esperando que meu “ Eu Interior” me mostrasse a razão pela qual cheguei “ ao acaso”( ele não existe!) nessa página.
Refleti sobre meu desconforto durante as visitas com meu filho ao zoológico, sobre minha relação com a natureza e especialmente com os animais de quatro patas e isso inevitavelmente me levou a recordar minha infância.
Meus pais se separaram quando eu tinha cinco anos de idade. Fiquei oito anos sem contato com meu pai e minha mãe lutava muito para me criar sozinha e eu tinha a completa consciência disso: eu nasci velha! Nenhum sentimento, ou estado de ânimo passava despercebido, talvez por isso “cresci” muito rápido e fiz o máximo que pude para mostrar que era capaz de me “ virar sozinha”. Assim, com seis anos, eu passei a voltar da escola e a ficar sozinha em casa, até a noite quando ela voltava do trabalho. Minha única exigência era ter três gatos!
Para aqueles que ainda acreditam que os gatos são bichos traiçoeiros ou que não possuem sentimento algum pelas pessoas, afirmo que isso é uma grande bobagem! Quem se permitiu conhecê-los sabe que são seres dóceis e companheiros. Talvez o desafio esteja no fato deles constantemente nos ensinarem sobre o “respeito ao tempo do outro” e sobre a importância de estarmos constantemente ligados ao nosso próprio tempo.
É verdade que os gatos não fazem nada que não queiram, mas, é verdade também, que são profundamente atentos ao nosso estado de ânimo: um gato sempre sabe quando seu dono está carente ou desanimado!
São seres individualistas sim, mas vivem muito bem em comunidade.
E apesar de parecerem animais domésticos, preservam-se “selvagens” ( no melhor sentido da palavra!) e livres.
Talvez por isso o “cativeiro” pareça não existir para eles, assim como sinto que hoje não existe para mim também: apesar de me sentir comprometida com o meu trabalho e com os vários aspectos da minha vida particular, não me sinto aprisionada por nada. Sinto-me livre para refazer escolhas a qualquer momento, e isso é extremamente confortável.
Lembrei das fases da minha vida em que me acreditei presa a um “cativeiro” e da minha incapacidade de perceber que o cativeiro era uma escolha. Havia muitas outras escolhas disponíveis a todo o momento, mas, eu só conseguia fazer as escolhas “programadas” , ou seja, aquelas que me ensinaram a ter.
E assim, girava como um “cão em torno do rabo”, refazendo histórias de dor e infelicidade.

Diferentes dos animais irracionais que não possuem muitas escolhas, nós somos apenas reféns de nós mesmos, não tenho dúvida alguma sobre isso!
Obviamente que temos sempre uma longa lista de desculpas que pareçam justificar a nossa permanência no cativeiro. No fundo, porém, sabemos que são apenas desculpas.
Li uma vez, sobre uma experiência que fizeram com um cão em uma jaula. O chão da jaula era de metal e colocaram vários pontos que quando ativados disparariam pequenos choques nas patas do animal.
Ativaram o lado direito e o cão assustado pulou para o esquerdo e correu em direção à porta da jaula. Ativaram o esquerdo e o cão pulou para o lado direito e em direção a porta. Passados alguns dias, ativaram os dois lados ao mesmo tempo, o cão rodopiou de um canto a outro apavorado. Repetiram a experiência por vários dias e o cão começou a parecer não se importar mais com o incômodo provocado pelos choques em suas patas. Passou a ficar deitado recebendo os choques.
Perceberam que o cão foi ficando deprimido, com aquele olhar vago, até que um dia decidiram ativar os choques dos dois lados e abrir a porta da jaula, o cão permaneceu imóvel, mesmo com a jaula aberta.
Concluíram que os animais , assim como nós, acabam se acostumando com a violência e com a dor.
Talvez por essa mesma razão, tenhamos a tendência de não perceber a possibilidade de novas escolhas, sempre à nossa disposição.
Sinto que quando nos acostumamos com a dor, passamos a duvidar da vida e da possibilidade de acontecimentos positivos e alegres.
Passamos a preferir a dor que conhecemos à dor desconhecida.
Perdemos a fé na possibilidade de uma vida nova por detrás da porta da jaula. Perdemos a fé na capacidade de fugir, das nossas pernas e pés.
Parece faltar-nos a energia necessária para sair do lugar, mas nas profundezas do nosso ser sempre há um reservatório infinito de energia à nossa disposição, para isso basta apenas um passo: um “não”, um “chega” ou “não quero mais”.
Lembre-se de que “cativeiro” é tudo aquilo que nos rouba o que nos é mais precioso e vital. Que nos traz a seguinte sensação: “Não sei por que não consigo sair daqui.”, ou, “Não sei por que agüento tudo isso”.
Você pode jurar que a razão está no fato de pensar nos outros ou de não se crer capaz de dar um novo passo. Não importa! O fato é que a chave da jaula está ao seu alcance.
Quando falo em fazer novas escolhas ou abrir a jaula e correr para longe, estou me referindo a começar um movimento de mudança interior: novos posicionamentos, novas perspectivas, novos comportamentos, novas reações, já que a jaula é um fator interno.
A jaula é na maior parte das vezes fruto do nosso descaso para conosco, das frases não ditas, do “deixa pra lá”, da falta de postura e de atitude, da mania de querer carregar o mundo nas costas..
É claro que algumas jaulas externas também existem: relacionamentos destrutivos e violentos, empregos que escravizam, amizades erradas, laços familiares que são como tumores enraizados; e sem dúvidas algumas vezes o rompimento e o afastamento físico são necessários. Tratar das feridas posteriores é mais necessário ainda!
Se você se sente completamente distante de “ tudo aquilo que um dia foi”, ou que sonhou em ser, se está deitado entregue ao próprio “ destino” sem ao menos perceber mais a dor e o desespero, chegou a hora de olhar para tudo aquilo que o aprisiona. Tenho certeza de que se olhar bem verá que a jaula é feita de papelão e que a porta que parece existir está há muito tempo aberta, esperando por seus passos.
Uma dica de quem já derrubou muitas jaulas de papelão: preste atenção em um gato pressentindo um acontecimento. Você o verá farejando o ar, as orelhas estarão atentas virando para todos os lados, os músculos prontos para saltar e correr, os pés estarão firmes no chão e o olhar já terá detectado nessa fração de segundos, a melhor rota de fuga.
Com certeza nesse momento o gato não pensará nas conseqüências da sua fuga, se irá deixar algo caído ou quebrado, se conseguirá escapar ou não, nem irá querer saber o que as pessoas acharão disso, ele apenas correrá em busca de segurança.
Alguns momentos da vida exigem isso, calar a mente e deixar o corpo fugir.
Só mais uma coisa: as jaulas geralmente se disfarçam de SEGURANÇA, esteja atento, e ao invés de “SEGURANÇA” experimente buscar conforto, bem-estar, prazer, alegria, aconchego e amor-próprio! Claro que tudo isso acaba se traduzindo numa sensação magnífica de segurança natural, mas aquilo que chamamos de “Segurança”, acaba na maior parte das vezes, nos custando a própria “pele”.
Sinceramente? Aprendi com os bichos uma coisa que procuro ensinar também ao meu “filhote”: SOFRER NÃO É BOM, NEM FAZ BEM!”.
Aventure-se a imaginar-se livre das jaulas, deixe-as para trás se preciso for, mas lembre-se de cuidar daquilo que em você as criou. Se não for assim, você apenas mudará as jaulas de endereço.

* Dedico esse texto aos “ meninos e meninas” que fazem parte da minha estrada e que insistem em acreditar que as jaulas não são de papelão.
Lembrem-se também de que não adianta apenas ter a coragem necessária para correr para fora da jaula, é preciso “ sustentar” a fuga e a vida nova lá fora.

Um abraço fraternal,

Adely

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Sementes"...




“Ser jovem enquanto velha,
Velha enquanto jovem,
Quando uma pessoa vive de verdade,
Todos os outros também vivem. ”


“Quando eu era menina,
Meus sapatos nunca serviam;
Bolhas de um rosa vivo nos calcanhares.
Não me lembro: será que meus sapatos eram muito apertados ou grandes demais?
Com o chapéu nas mãos, os coitados dos meus pais
Perguntavam ao médico: “Tudo certo com ela?”
“Problemas com os pés”, dizia o médico.
“O defeito é grave”.
E assim meus pais gastavam seu dinheirinho
Em sapatos reforçados para os pés defeituosos.
O médico ameaçava:
“Ela nunca mais pode andar descalça!”

Nos sapatos de chumbo, eu acidentalmente atingia o lado de dentro
Dos meus tornozelos ao correr ou andar-
Os sapatos faziam meus joelhos baterem um no outro,
Com os ossos estalando, os tornozelos sangrando.
Mas sem aqueles sapatos, sem nenhum sapato,
Os cachorros e eu corríamos como o vento.

Toda criança tem uma vida secreta longe dos adultos,
E assim, no verão ou na neve,
Não fazia diferença, eu escapulia
Para uma das verdes salas do trono
Na floresta, e lá eu desatava
Os mil cordões dos sapatos de ferro,
Fazia força para abrir os canos altos e duros,
E arrancava aqueles sapatos de duzentos quilos
Que poderiam atingir e matar uma mula.
E então eu só ficava sentada ali,
Uma menininha cantando alto lá-lá-lá
Enquanto meus pés balançavam descalços, a escutar.

Forçada de volta
Àqueles sapatos anos após anos
Foi então que comecei a planejar
Amputar meus pés
Só para ver o médico desmaiar
Só para refletir sua visão brutal
De como deveriam ser pés “sem defeito”.
“Não andará direito pelo resto da vida”, disse ele.

Uma vez ouvi uma mãe rica
Dizer à filha toda arrumadinha
Num banheiro público
Onde se pagava dez centavos
Para usar o sanitário limpo em vez de sujo:
“Não deixe seus pés se alargarem;
Use sapatos o tempo todo, até quando for dormir...
Não tenha pés comuns”, aconselhou a mãe.
Fiquei cismada....”Mas o pé comum é tão...
Bem, é tão bom ele ser comum, não é mesmo?”

“Não! Ela não tem arco nenhum!”, disse o médico....
“Como uma índia de pés chatos”, disse ele.
“Mas meus antepassados”, murmurei...
“Eu sou uma índia de pés chatos”, disse eu.
E mais tarde já adulta, ao ver
Minhas ancestrais e seus pés de solas gordas,
Eu soube que meus pés foram criados
Para andar por campos de lavoura,
Para cobrir quilômetros na terra batida no escuro,
Para ingerir nutrientes da terra
Direto através das solas,
E para andar empertigada , deslizar e girar na roda de dança.

Mas naquela época, nas chamadas
“boas maneiras do interior”,
Os pés das mulheres costumavam ser criados para tornarem-se
Pequenos sacrifícios humanos,
Mantidos pequenos demais,
Não sem peias,
Mas, de certo modo, sem pés.
Incapazes de correr morro acima, morro abaixo ou fugir.
Revela-se...
Que era exatamente esse o objetivo.

Mas meus pés fugiram comigo
Neles de qualquer modo
E hoje, nada de sapatos reforçados
Para me fazer “andar direito”,
Pois com eles ou sem eles, não importa,
Eu nunca andei direito;
....até mesmo hoje, seguindo pela rua,
Eu dou uma guinada,
De repente querendo ver alguma coisa,
Me juntar àquela marcha,
Recuperar essa noite,
Falar com alguma pessoa ou algum bicho,
Fazer um desvio até uma flor que cresce,
Através das pedras,
Abaixar para falar com uma criança
Sobre a ocupação importantíssima
De caçar coelhos para obter créditos acadêmicos,
Ou só para parar e balançar diante de um amado.
Meus pés e pernas pertencem Àquela que Dança
Que também possui meus quadris...
E os sapatos corretivos não
Corrigiram nada
Que fosse mais necessário que minha Alma.
Todos os ritmos mais importantes,
Os jeitos de parar e os passos largos
Permanecem “sem conserto”.

Agora, acho que meus sapatos talvez sejam
Uma das minhas formas cruciais de arte.
Espero que por fim seja aceitável
Que eu com freqüência use,
Os tipos mais descabidos de sapatos
E às vezes irreverentes que sejam possíveis.

Acho que por fim chegou a hora
- sem consultar qualquer médico-
Em que posso também andar descalça
Sempre que possível,
Para que eu possa realmente enxergar e ouvir....”

(Trecho do livro: “Ciranda das mulheres sábias”, Clarissa Pinkola)


Acredito que todos nós, homens ou mulheres, tivemos as nossas “diferenças” cruelmente rotuladas.
Não importa se o rótulo foi: “teimoso demais”, “genioso demais”, “afetivo demais”, “curioso demais” , “atrevida demais”, “lunático demais”, ou qualquer outro do gênero; o fato, é que ele oculta uma enorme potencialidade criativa.
Os nossos “defeitos” são grandes qualidades em desenvolvimento, que necessitam de maturidade, responsabilidade e direcionamento.
Caso você tenha “espremido” o bastante a sua natureza para se livrar dos rótulos, ou melhor, das “qualidades”, aceitando os “moldes culturais” que objetivam nos tornar “seres em série”, sinto informar-lhe, mas, os seus problemas atuais, refletem a dor sufocada em sua Alma, em conseqüência de tal deformação.
Assim como a autora, talvez, você tenha pensado em “amputar”, não seus pés, mas quem sabe a sua alegria, o seu entusiasmo, a sua auto-valorização ou a sua vontade de se lambuzar de vida e de sonhos.
Se esse é o seu caso, talvez haja algo em você que culpe as outras pessoas, ou a própria vida por tal amputação, mas quero lhe dizer duas coisas importantes que descobri, ao cuidar das minhas próprias “amputações”:
* Ninguém pode entrar em nosso interior e “matar” coisa alguma. Na expectativa insana de atender ao que os que amamos esperam de nós, nos castramos e amputamos o fluxo de vida e de alegria em nosso interior.
* Porém, por mais que aparentemente pareçamos “amputados” de alguma coisa; em nosso interior, nas profundezas do “solo fértil” da Alma , adormecidas, as sementes aguardam um raio de vontade para voltarem a crescer.

O que é natural, se auto-regenera, sempre!!!

Um abraço fraternal,

Adely

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Crer na vida...

Creio na força que vejo e que chamo de Natureza,
Creio Naquilo que não vejo e que me sustenta,
Na chama que em tudo ocultamente arde,
Revirando e extraindo o sumo das possibilidades,
Mais sublimes e inesperadas.
Não ouso nomeá-lo, dar-lhe formato,
Compreender ou buscar controlar.
Me faço apenas observadora e tecelã dos fragmentos,
das repetitivas coincidências que antes ousava chamar de destino.
Recolho retalhos de escolhas,
Observo ciclos, intenções e espelhos em minha alma.
Encaixo e desencaixo posicionamentos,
Me desfaço das velhas máscaras protetoras,
Reinvento opiniões e pensamentos,
Me recolho e reviro meus armários,
Jogo fora mais um pouco do peso passado,
Esvazio a bagagem deixando para trás os moldes,
Observo o fluir da vida e me encaixo nele,
Aprendi a não nadar contra a correnteza!
Fluindo, numa hora qualquer,
Encontro uma margem segura para recomeçar.
Creio na vida, em suas marés e em sua força,
Nos potenciais humanos e no inesperado,
No mistério e nas noites que sempre passam,
Nos dias e nas tempestades que sempre terminam,
E, sobretudo, nas voltas que a vida dá.
Nada permanece imóvel ou segue do mesmo jeito
É no cenário constante de vida-morte-vida,
Que tudo acontece, morre e torna a viver.

Apesar de ser mais fácil crer que tudo tende a dar errado ou a não ter saída, a Vida é constantemente repleta de novas possibilidades.
Sempre há um novo ponto de vista à ser descoberto, uma alternativa a ser tomada, algo a ser transformado ou reformado.
Mudanças externas, implicam em mudanças internas. Não dá para mudar algo, mantendo-se com os mesmos pensamentos, atitudes e pontos de vista.
Não importa em que ponto do caminho você esteja, ou qual situação esteja enfrentando, talvez seja esse o seu ponto de partida para uma vida diferente, ou melhor, para uma nova maneira de lidar consigo e com a sua vida.
O que chamamos de destino é o resultado das nossas escolhas, na maior parte das vezes, inconscientes.
O que chamamos de “karma” é o resultado da repetição de um padrão de comportamento. Não adianta simplesmente “arrastar a cruz”, é preciso compreender o que o leva a querer arrastá-la. Aí está o aprendizado!
Dê-se sempre uma chance de mudar e recomeçar, mas faça isso já, um passo de cada vez. É simples assim, apesar de parecer complexo.
Se parecer difícil demais e surgir o “eu não consigo”, experimente substituí-lo pelo “eu não quero”. É mais digno de um ser tão poderoso quanto o humano.

Desde que o ano do Sol começou, 21 de Março, sinto um fluxo de “fazer mais e falar menos”. Muita gente nova chegando, um pessoal bem “solar”, com vontade de crescer e de brilhar; o tempo curtíssimo, a energia solar é ágil, exige que a gente se adapte, por isso tenho escrito muito pouco, simplesmente seguindo o fluxo da vida.

Um abraço fraternal,
Adely

terça-feira, 17 de março de 2009

Realidade



Palestra do “Guia” por Eva Pierrakos
19 de agosto de 1957

REALIDADE – IMAGEM PROJETADA
Saudações. Trago a vocês a bênçãos de Deus, meus queridos amigos. O homem tem enorme dificuldade em entender o que realmente significa dizer que o céu ou o inferno estão dentro dele. Em geral, o homem acha que se trata de um estado emocional, e, portanto, algo irreal, algo que não pode ser tocado porque, para o homem, a realidade é aquilo que ele pode ver e tocar. E o estado emocional não pode ser visto nem tocado. Quando dizemos a vocês que os pensamentos e os sentimentos são formas, fica um pouco mais fácil entender que essas formas constroem as respectivas esferas. A paisagem, o ambiente, o vestuário, seja o que for, estão em harmonia ou desarmonia – isso depende – com todos os muitos, muitos níveis intermediários. Mas isso ainda não responde à pergunta de como tudo isso pode estar dentro do homem, que acredita que em seu íntimo não há espaço para essas paisagens e outras esferas. Por mais difícil que seja explicar essa questão, vou procurar fazer um esboço para que vocês aumentem seu conhecimento dessa área.
Assim como o elemento tempo é totalmente diferente do que é na verdadeira realidade do espírito, também é diferente a dimensão ou, se vocês preferirem, as indicações espaciais – acima/abaixo, direita/esquerda, etc., isto é, as dimensões que vocês conseguem entender na terra. Quando o homem se livra do corpo, ele vai para dentro, para as esferas espirituais, pois todo o universo está dentro do homem, efetivamente! Talvez vocês entendam melhor se eu der um exemplo, por mais imperfeito que seja. Imaginem que vocês têm um telescópio e olham nele pelo lado errado; tudo fica muito pequeno. Mas esse minúsculo quadro é o mesmo que vocês dizem existir na realidade. Mas, vocês podem objetar, como pode o universo inteiro, mesmo se as dimensões forem diferentes, estar em todos os homens, se o universo é um só?
Minha resposta é a seguinte. O mundo terreno de vocês não é, de fato, a verdadeira realidade, nem mesmo no sentido espiritualmente traduzido ou simbólico, mas apenas um reflexo, a imagem refletida, a projeção da verdadeira realidade. O corpo, que encerra o espírito, ocasiona a separação. Mas assim que o muro separador é retirado, quando o corpo é abandonado, todo esse universo, que está em cada um de vocês, se une, supondo naturalmente que a pessoa tenha atingido o nível de pertencer à esfera onde não há mais muros de separação. Quanto mais baixa a esfera, aqui ou lá, maior o número de fatores de separação.
Estou descrevendo a situação em largas pinceladas, pois as palavras não servem para uma descrição completa. Elas têm suas limitações, mas podem ser uma orientação para que vocês meditem sobre o que isso significa: o céu ou inferno e tudo que existe entre os dois está dentro de vocês. Não é apenas um estado emocional, como vocês sempre acharam, apenas um estado de espírito, ou algo abstrato. O que vocês consideram abstrato é concreto no espiritual – tudo. O que para vocês não tem forma, no espiritual tem forma, porém não densidade. Ainda pode ser difícil vocês entenderem que a material que podem tocar é apenas uma imagem refletida ou um reflexo do universo que está em cada alma, em sua totalidade, mas talvez essa dificuldade possa ser superada, até certo ponto, na meditação.

Uma ótima semana!
Adely

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Mahalilah.....

O jogo de ontem (08/03) foi completamente diferente dos outros!! Claro que todos os jogos são únicos, mas é que ontem esteve por lá uma "galera" bem sensível, todos bem conscientes da sua própria responsabilidade para consigo. Havia uma energia bem suave pelo ar e eu quero dizer a você que esteve lá ontem que fiquei feliz com a sua presença. Coloquei o significado de todas as cartas,pois quem sabe alguma outra palavra te ajude a encaixar mais uma peça do "quebra-cabeça" que é o autoconhecimento.

PALAVRAS DA MÃE INTERIOR:

Gildéptis
SÍNTESE

Eu tomo os opostos
e os conflitos
tudo o que é contraditório
Eu pego o diferente
e o variado
Eu pego o simples
e o solitário
e misturo e fundo
derreto e ligo
Eu tomo o que está separado
e crio união
Eu junto
o que precisa ser unido
assim a totalidade é alcançada

Significado da carta
Gildéptis entra mansamente na sua vida para mostrar que o caminho da totalidade para você agora é a síntese. E hora de juntar os aspectos divergentes, os opostos num todo. Neste momento de sua vida, você pode estar envolvida em conflitos ou oposições. Agora você deve resolvê-los e criar união. Talvez você esteja dissipando a sua energia, sua força vital, em muitas direções, ou tenha colocado muita lenha na fogueira. É hora de descobrir um fio comum que servirá para atender às suas necessidades da melhor forma possível.
Gildéptis diz que aprendendo a ouvir todas as partes, todos os aspectos divergentes, e isso pode incluir sua família, comunidade ou parceiro, você pode oferecer o que é necessário para criar a totalidade.
A totalidade é criada quando todas as partes são respeitadas e ouvidas, quando todas as partes são unidas e sintetizadas num todo. As maiores oferendas à totalidade muitas vezes estão nos pontos mais discrepantes.



Pachamama
CURA/TOTALIDADE/SAGRADO

Eu canto uma canção de amor
a partir das pedras do meu corpo
dos picos mais altos das minhas montanhas
das areias quentes dos meus desertos
Eu a acaricio com folhas verdes
plantas verdes
relvas verdes
Eu a banho em vegetais
alimento-a em meus seios
a Terra
Eu a acalmo com águas cintilantes
refresco-a em meus oceanos
Minha canção de amor para você
é o meu corpo
a Terra
para alimentá'la
vesti-la
acolhê-la
Aprenda a minha canção
e ela vai curar você
cante a minha canção e ela a fará inteira
dance comigo e você será sagrada


Significado da carta
Pachamama espera por você de braços abertos. E hora de aceitar o abraço de Pachamama. Este é o momento de curar/integrar e de lembrar- se de sua santidade, lembrar-se de que você é um ser sagrado.
Você sente uma ligação com a Mãe Terra como um organismo vivo ou considera a Terra uma rocha inerte sob seus pés? Está às voltas com algum sofrimento que nada parece aliviar? Come e bebe água sem dar graças à Terra? Está buscando respostas para as suas perguntas? Passa algum tempo ao ar livre abrindo-se à Terra e às suas energias vitais? Abrir-se a Pachamama é algo que pode ocorrer em qualquer lugar. Essa comunhão pode se dar num parque da cidade, em seu próprio quintal, em alguma floresta remota, na mata ou no deserto. Pachamama diz que a cura ou integração é alimentada quando você se abre para ela que quando você alimenta o despertar, sua vida fica mais criativa, em vez: de reativa — uma posição infinitamente mais poderosa.



Eurínome
ÊXTASE

Quando despertei e surgi do
caos rodopiante e fervilhante
não vendo outra maneira de expressar
o puro deleite
a selvagem alegria
a explosão de energia
que senti
comecei a dançar minha exuberância
essa sensação de flutuar num mar
de alegria arrebatadora
perdida e transportada
na intensidade
do êxtase

Significado da carta
Eurínome dança na sua vida para dizer que é hora de êxtase. Ele está aqui para você em toda a sua plenitude, exuberância e entusiasmo. Como você pode proporcionar a si mesma um êxtase profundamente
fortalecedor e alegre? Um caminho é curar as suas feridas. Elas ocupam lugar emocional em seu íntimo. Uma vez curadas, o espaço que elas ocupavam fica disponível para o êxtase. Outro caminho é abrir-se a ele, invocá-lo, senti-lo e deleitar-se nele. Para aqueles que tiveram pouca alegria na vida, a decisão consciente de cortejar, seduzir e provocar o êxtase certamente é bem-vinda. Eurínome diz que, quando você tomar a decisão de dançar com o êxtase, a vida a desafiará com novas oportunidades para facilitar essa dança.

Hator
PRAZER

Quando você vem a mim
eu tomo o seu espírito
das estrelas
e o visto
num corpo de sensação
para delicadamente concentrá-la na forma
para benignamente aquecê-la na bem-aventurança
Você está aqui para sentir o deleite
desfrutar a recompensa
conhecer a satisfação
ter prazer
em todos os caminhos
de todas as maneiras
em todos os aspectos
O prazer toma-a suculenta
faz seus olhos cintilarem
anima a sua energia vital
O requinte da existência
é o prazer
Prepare-se para sentir-se muitíssimo bem

Significado da carta
Hator está aqui para dizer que o caminho da totalidade para você está em ligar-se ao que lhe traz prazer e em sentir o prazer. Acaso lhe ensinaram que o prazer é proibido, algo pecaminoso ou mau? Você está tão ocupada cumprindo seus compromissos que o prazer fica relegado ao último lugar em sua lista de prioridades? Você nega o prazer para ir trabalhar? PARE! É hora de mudar tudo isso. O prazer alivia
a tensão, relaxa e revigora você. Prazer é o modo como o corpo expressa saúde e vitalidade. É o óleo que mantém você lubrificada e viçosa.
Hator diz que já que você escolheu estar aqui num corpo físico, você poderia também aproveitá-lo. Não espere que os outros atendam a essa necessidade. Planeje dar diariamente um prazer a si mesma e você encontrará a satisfação dançando em sua vida.



Inanna
ABRAÇANDO A SOMBRA

Fui até lá
de livre vontade
Fui até lá
com meu vestido mais lindo
minhas jóias mais preciosas
e minha coroa de Rainha do Céu
No Inferno
diante de cada um dos sete portões
fui desnudada sete vezes
de tudo o que pensava ser
até que fiquei nua naquilo que de fato sou
Então eu a vi
Ela era enorme e escura e peluda e cheirava mal
tinha cabeça de leoa
e patas de leoa
e devorava tudo que estivesse à sua frente
Ereskigal, minha irmã
Ela é tudo o que eu não sou
Tudo o que eu escondi
Tudo o que eu enterrei
Ela é o que eu neguei
Ereskigal, minha irmã
Ereskigal, minha sombra
Ereslágal, meu eu

Significado da carta
Inanna está aqui para dizer que uma jornada no Inferno é o caminho da totalidade para você agora. Está na hora de dançar com a sua sombra, reclamar o que você negou, abraçar a sua irmã sombra, o seu lado
sombrio. Você precisa de todos os aspectos de si mesma que seus pais, os que cuidaram de você, seus professores e a sociedade consideraram inaceitáveis para conquistar a totalidade na sua vida. Quer
se trate de seu talento, de sua beleza, do seu vampiro interior, de sua raiva, de sua loucura, é necessário que você se entregue à viagem e abrace o seu lado sombrio. Se você já estiver no Inferno, a aparição
de Inanna talvez signifique que está na hora de voltar. Viagens ao Inferno para abraçar o lado sombrio são uma lei em si mesmas. Elas duram o tempo que for preciso — você não pode adaptá-las à sua agenda.
Quando estiver na hora de ir, você irá. E só voltará quando estiver pronta. Console-se com a certeza de que todas as viagens ao Inferno terminam e de que você de fato retornará — muito diferente em relação
à pessoa que pensava ser ao iniciar a viagem.

Shakti
ENERGIA
Sou a fonte definitiva
que dança através de todas as formas
Sou a força animadora
que vibra para o mundo existir
Eu ativo
fortaleço
potencializo
Deixe-me preenchê-la
com êxtase cósmico
Deixe-me religá-la
recarregá-la
renová-la
Eu sou o néctar do mel da doce bem-aventurança
que serpenteia pela sua coluna
ligando todos os seus chakras
numa grande orgia orgásmica
de poder
e vitalidade


Significado da carta
Shakti explode na sua vida para energizá-la e revitalizá-la. O caminho da totalidade para você agora está em aprender a trabalhar com Shakti: a divina, cósmica, orgásmica energia da Deusa. Você anda se
sentindo cansada? A vida a deixa aborrecida, com todas as suas exigências? Você fica distribuindo sua energia e vitalidade, sem repor, sem recarregar, revitalizar? Talvez haja algo que você queira manifestar mas sente que não tem energia para fazê-lo. Shakti diz que existe energia em abundância disponível para você. Tudo o que você tem de fazer é aprender como ligar-se a ela.
Sétimo: branco
Sexto: púrpura
Quinto: azul
Quarto: verde
Terceiro: amarelo'-.
Segundo: laranja
Primeiro: vermelho


PALAVRAS DO PAI INTERIOR:

* Consciência- o véu da ilusão ou maya, que tem estado impedindo que você perceba a realidade como ela é, está começando a queimar-se. Tal fogo não é a chama aquecida da paixão, mas a flama fria da consciência. À medida que o véu vai sendo queimado, o rosto de um Buda muito delicado e infantil torna-se visível. A consciência que está crescendo em você nesse momento não é o resultado de algum “fazer” consciente, nem é preciso que você se esforce para fazer alguma coisa acontecer. Qualquer impressão que você possa ter de que vinha tateando no escuro está se desfazendo agora, ou logo se dissipará. Deixe-se assentar, e lembre-se de que bem no fundo, você é apenas uma testemunha, eternamente silenciosa, consciente e imutável. Um canal está se abrindo agora a partir da esfera de atividades até o centro do testemunhar. Ele o ajudará a atingir o desapego, e uma nova consciência removerá o véu dos seus olhos.
“A mente lhe dá uma espécie de estupor. Sobrecarregado pelas lembranças do passado, pelas projeções do futuro, você vai vivendo num nível mínimo. Uma vez que você começa a deixar de lado os pensamentos, a poeira que você acumulou no passado, a chama se ergue- límpida, clara, viva, jovem. A sua vida toda se transforma numa chama, e uma chama sem nenhuma fumaça. Isto é que é consciência.”

* Relâmpago- a carta mostra uma torre sendo queimada, destruída, explodida. Um homem e uma mulher se atiram dela, não por quererem isso, mas porque não há escolha. No fundo, aparece uma figura transparente, meditativa, representando a consciência que a tudo assiste,
Talvez você esteja se sentindo muito abalado nesse exato momento, como se a terra tremesse sob seus pés. O seu sentido de segurança está sendo desafiado, e a tendência natural é tentar segurar-se em tudo o que estiver ao seu alcance. Esse terremoto interior, porém, é tanto necessário quanto tremendamente importante- se você aceitar que ela aconteça, você emergirá dos escombros mais forte e mais disponível a novas experiências. Depois do incêndio, a terra é repovoada; após a tempestade o ar apresenta-se limpo. Tente assistir à destruição com desprendimento, quase como se isso estivesse acontecendo com uma outra pessoa. Diga “sim” ao processo ao encontrá-lo ao meio do caminho.

* Silêncio- a receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: uma deusa da noite, que traz profundidade, paz e compreensão. Este é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo. Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida.


* Confiança- este é o momento de ser aquele “ioiô humano”, capaz de se atirar no vazio sem a proteção do cabo elástico amarrado aos pés! E é esta postura de confiança absoluta, sem reservas nem redes de segurança escondidas, que o Cavaleiro da Água exige de nós. Uma grande euforia nos invade quando conseguimos dar o salto para o desconhecido , anda que essa simples idéia nos apavore. E quando adquirimos confiança ao nível do salto quântico, deixamos de fazer quaisquer planos elaborados, ou preparativos. Não dizemos : “Muito bem, confio que sei o que fazer agora: vou pôr em dia meus negócios, preparar minhas malas e levá-las comigo.” Não, nós simplesmente saltamos , sem pensar muito no que virá depois. O importante é o salto, e o arrepio que ele nos provoca à medida que caímos em queda livre pelo vazio do céu. A carta nos dá, entretanto, uma “deixa” a respeito do que nos espera no outro extremo- um delicado, convidativo, um delicioso rosado....pétalas de rosa, um suculento.....”VENHA!!!”

* A Luta- a figura desta carta apresenta-se completamente coberta por uma armadura. Apenas se vê o seu olhar de cólera, e o branco dos nós das mãos fechadas. Olhando a armadura mais de perto, você pode ver que ela está coberta de botões, prontos para detonar se alguém apenas roçar neles. No plano de fundo aparece a sombria seqüência das imagens que passam pela mente desse homem- duas figuras lutando por um castelo. Um temperamento explosivo ou a raiva reprimida escondem com freqüência um profundo sentimento de dor. Nós achamos que, espantando os outros para longe, poderemos evitar ser machucados ainda mais. Na verdade, acontece exatamente o inverso. Ao cobrir nossas feridas com a armadura, estamos impedindo que elas sejam curadas. Ao agredir os outros, impedimos a nós mesmos de receber o amor e o alimento afetivo de que precisamos. Se esta descrição parece corresponder ao seu caso, então está na hora de parar de brigar. Existe muito amor à sua disposição, basta deixá-lo entrar! Comece por perdoar a si mesmo: você merece!

* Viagem- a pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem não está preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria meta, que a peregrinação em si é o santuário. Quando esta carta aparece numa leitura, indica um tempo de movimento e mudança. Pode ser um deslocamento de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma maneira de ser para a outra. Qualquer que seja o caso, porém, esta carta assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar, nem planejar em demasia. Esta carta da “viagem” também nos lembra de que devemos acolher o novo, exatamente como acontece quando viajamos a um país distante, com uma cultura e um ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados . Esta atitude de abertura e aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida.

* Caso você não tenha encontrado a sua carta, me avise pois eu posso ter pego alguma outra carta no lugar da sua.



Um abraço fraternal,

Adely

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Em busca da paz nas relações


“Padecemos de uma espécie de isolamento que cria a ilusão de que é seguro nos mantermos afastados uns dos outros,
Quando no fundo nosso maior anseio é pelo encontro.
Construímos muralhas de areia aparentemente seguras,
“Trocamos os pés pelas mãos” em nossos relacionamentos,
Nos apavoramos, entramos em desespero, botamos todo o vir à ser do amor a perder,
Mergulhamos profundo em nossas próprias ilusões repletas de suposições,
Atacamos evitando sermos atacados,
Abrimos feridas e abismos imensos entre nós e as pessoas que amamos,
Simplesmente porque não sabemos ouvir e falar, à partir do coração.”

A dor do nosso isolamento é em parte estimulada pela carência de nos sentirmos verdadeiramente ouvidos, acolhidos, confortados e compreendidos.
Não podemos culpar os outros por esse fato.
Nós, assim como eles, temos uma dificuldade imensa em relação a isso.
Quando falo “ouvir”, me refiro ao ato de acolher os pensamentos e os sentimentos do outro, sem tentar encontrar respostas, sem fazer julgamentos ou críticas. Isso é difícil, não acha? Eu acho! Especialmente naquelas horas em que nos sentimos atingidos pelas “flechadas” do mau humor alheio.
O que nossos ouvidos não estão treinados a ouvir é que nessas horas, por detrás das cobranças ou dos lamentos mal-humorados, há sempre um pedido de socorro.
Não acho que somos obrigados a atender a nenhum pedido de socorro, é nosso coração quem deve sinalizar se devemos ou não. Mas acredito que é importante aprendermos a respeitar esses momentos de dor.
Na maior parte das vezes não é isso que estamos programados para fazer. Num impulso nos tornamos reativos e começamos com a “ladainha de perseguição mental”.
Aí rapidinho o “caldeirão esquenta” e a coisa ferve, desenterramos todas aquelas velhas caixinhas repletas de emoção guardadas a sete chaves em nossos escuros porões e aproveitamos para “desenterrar todos os defuntos do passado”.
Assim todo mundo só se machuca e, sinceramente? Ninguém ouve ninguém, porque inconscientizamos todas as palavras carregadas de emoções que possam nos ferir.
Além do mais, tem horas que a gente só precisa falar, desabafar, vomitar palavras ao vento, descarregar a tensão interior. Levamos tudo muito a sério! Deixa o outro falar de vez em quando, experimenta não sentir, não entrar na dele, dali a pouco tá tudo bem, o outro relaxa e quem sabe se abra então para ouvi-lo. Gente é assim mesmo, às vezes tá feliz da vida e de repente muda, incorpora o “veio (a)”, que mora em todos nós. Fica chato, reclama, critica. É só não fazer drama, não entrar na vibração. Sabe “ouvir” também significa saber o que ouvir e o que simplesmente “deletar”.
Falta-nos um pouco mais de generosidade em relação aos sentimentos dos outros, simplesmente porque nos falta generosidade em relação aos sentimentos que mantemos por nós mesmos.
Lembra daquela história de que o outro é só uma extensão do eu? E que a separatividade é apenas uma ilusão da mente?

Se formos capazes de quebrar as barreiras internas tais como o medo e o egoísmo, que nos impedem de nos ouvirmos, certamente construiremos relações bem mais reais e felizes.
Aprender a ouvir já resolve uma grande parte dos problemas nos relacionamentos. Isso, porém, não é o bastante.
Precisamos aprender a comunicar as nossas necessidades e não fazer delas uma sessão de torturantes cobranças ou acusações.
Temos muita dificuldade em falar diretamente sobre o que precisamos. Damos muita ênfase ao que não queremos,assim, perdemos horas a fio cobrando, culpando, acusando, sem nunca chegarmos a lugar algum.
Falar sobre si mesmo é também uma arte que exige persistência e sabedoria.
Algumas vezes também falta-nos a compreensão de que o “outro” é o outro e que, portanto, é alguém completamente diferente.
As diferenças nos assustam e costumamos entrar na ilusão de moldar o outro à nossa imagem e semelhança, será essa uma vontade oculta de “brincarmos de Deus”?
Se o “outro” é o outro ele jamais poderá pensar os meus pensamentos ou adivinhar o que me satisfaz, assim como eu jamais poderei fazê-lo. Necessitamos de muita generosidade para nos mostrarmos ao outro da maneira como verdadeiramente somos e para permitir que o outro faça o mesmo.
É preciso que o “Eu” seja também ouvido constantemente.
Sem essa generosidade com os outros e consigo mesmo dificilmente “tocaremos” ou seremos verdadeiramente “tocados” pelas outras pessoas e nosso gélido castelo de isolamento permanecerá.

Um abraço fraternal

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Fernando Pessoa, o poeta da alma...


Como boa canceriana que sou, com a Lua e Netuno no Ascendente ainda por cima, adoro arte.
Arte falada, escrita, tocada, dançada. Gosto de observar os momentos em que parece que a Alma de alguém fala com a gente de verdade, sabe?
Um pouco da linda poesia de Fernando Pessoa ( meu poeta preferido!rs) para enfeitar a sua semana.
Um abraço fraternal,
Adely



"Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1888.
Partiu em 30 de Novembro de 1935, aos 47 anos de vida.

Perfil astrológico:
Sol em Gêmeos, Lua em Leão, Mercúrio em Câncer.

Desenvolveu o melhor da sua natureza geminiana através da genial habilidade de expressar seus sentimentos em palavras. Foi de alguma maneira um autodidata, característica do eixo "Gêmeos/Sagitário".
A Lua em Leão é retratada em sua maneira profunda de falar de um "eu" dono de si que escolhe seu próprio destino. Retratou várias faces do eu, mantendo um olhar apaixonado pela vida. Aqui também podemos imaginar que havia uma profunda ligação afetiva com o pai ( que perdeu aos 5 anos de idade) e um desejo de honrá-lo de alguma maneira.
Mercúrio em Câncer retrata sua maneira poética e ao mesmo tempo simples de falar de questões profundas da alma e do sentimento humano.
Sua vida e obra foram permeadas por ligações com as chamadas "ciências ocultas" e isso pode ser percebido em muitos de seus poemas.
"Comentam as más línguas" que Fernando Pessoa em 1930 inicia uma troca de correspondências com o "mago" Aleister Crowler, que nesse mesmo ano foi à Lisboa visitar Fernando."

Gosto do que ele escreveu, seguem os meus preferidos:

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise…
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história…
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma…
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos
É saber falar de si mesmo…
É ter coragem para ouvir um "não"
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."


"Poema do amigo aprendiz:

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias..."

"Enquanto não superarmos
a ânsia do amor sem limites,
não podemos crescer
emocionalmente.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um."

"Como é por dentro outra pessoa
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição de qualquer semelhança
No fundo."


"A vida:

Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo...

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e
acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu."


"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas,
Que já têm a forma do nosso corpo,
E esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares

É o tempo da travessia,
E se não ousarmos fazê-la,
Teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."


"Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu."



"Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros).
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

Fernando Pessoa

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender.

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos.
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar."

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

PROGRAMA DE GRATIDÃO



"Eu sou Uno e semelhante ao Poder que me criou"






Oi!! Tudo bom?

A inspiração do dia é GRATIDÃO! É sobre ela que quero falar:
Não existe uma "caixinha de primeiros-socorros" melhor que a gratidão.
A gratidão eleva rapidamente nosso padrão vibratório, trazendo alívio imediato a vários males da alma.
É o alívio, o bálsamo e a "fisioterapia" para aqueles momentos em que nos sentimos "partidos ao meio", “rasgados” ou "cambaleantes".
Amplia o olhar, abre as portas para a conexão com o Eu Superior e com a Força Criadora.
Liberta corações em conflito e atrai bênçãos para as nossas vidas.
Sei o quanto é difícil encontrar razões para agradecer quando tudo a nossa volta está negro ou sombrio. A vontade que dá mesmo é de "fechar para balanço" e se entregar à dor.
Quando estamos doloridos ou machucados, tendemos a olhar tudo com uma espécie de "óculos de lentes negras".
Tudo fica ruim, amargo, tudo o que era prazeroso se torna insípido e nossos pensamentos parecem um "disco riscado", presos numa mesma faixa.
Entramos no padrão vibratório do problema, "vestimos" o problema, vivemos o problema e com isso não temos energia positiva suficiente para "olhar além" e encontrar ou simplesmente atrair uma solução.
Encontrar razões para agradecer é um “chamado” da Alma para corrermos para o outro lado dessa balança.
Temos sempre a possibilidade de nos debruçarmos completamente em nossos próprios conflitos e dores e isso não é de todo ruim. Algumas vezes precisamos mesmo chorar nossas dores e isso é muito natural e saudável. O problema de fato começa, quando esquecemos a nós mesmos lá no fundo do poço das dores e lamentações.
Sinceramente? Tem gente que até curte sofrer. Tem um mórbido prazer na dor, tem o prazer de ser visto como o coitado ou como a vítima e com isso ganhar a atenção das pessoas.
Cada um “na sua”, tudo bem se você faz parte dessa turma que no fundo curte sentir dor, não vejo isso como algo ruim ou errado, mas o fato é que não gera bons resultados, nunca dá certo, nunca a atenção é o bastante, sempre haverá mais uma razão para encontrar um motivo para se sentir mal e esse jogo nunca tem fim.
Já viu como algumas pessoas no fundo curtem sentir raiva de alguém? Ter o que contar sobre como brigou com um e com outro. “Cutucando bem lá no fundo”, gente assim sente é MEDO!
Tudo bem também sentir medo o tempo todo, medo de tudo e de todos, talvez seja mesmo importante pensar em segurança, mas é importante olharmos para os nossos próprios “fantasmas”, senão nunca encontraremos a segurança.
Tudo bem sentir medo, mas são medos reais, ou suposições sobre um futuro incerto? Ficar se defendendo da vida o tempo inteiro, também não dá certo, as coisas ruins continuam acontecendo.
Não é pensando no MAL que a gente atrai o BEM, é pensando no BEM que atraímos o BEM e o BOM.
Você e eu podemos passar o resto das nossas vidas no padrão vibratório daquilo que chamamos de “meus problemas” ou podemos criar novas maneiras de olhar para tudo isso. Qual é a sua escolha?
Tenho uma proposta, algo que chamo de “PROGRAMA DE GRATIDÃO”.

A gratidão “apareceu” em minha vida através dos mais diversos “mensageiros” e “sinais”, nos momentos mais negros do meu caminho.
Óbvio, a primeira reação era ficar “P” da vida: “Como assim? Tá tudo péssimo e ainda tenho que agradecer”?
E meus mestres, sempre amorosos repetiam: “É! Ou você aprende a sair sozinha desse padrão vibratório, ou estará sempre escrava de suas próprias ilusões”.
Tive um maravilhoso mestre oriental, super zen, um dia conto sobre ele...
Minha proposta é que você também aprenda a sair sozinho do padrão vibratório da dor, seja ela qual for.
O “Programa de Gratidão” é baseado num trabalho da Louise Hay chamado “Dieta de 7 dias de Gratidão”, pra mim sempre traz excelentes resultados e as pessoas que tem praticado também estão satisfeitas.

Como funciona?

Durante sete dias consecutivos, aconteça o que acontecer ao acordar e antes de dormir encontre motivos para agradecer e o faça de todo coração.

Respire profundamente por algumas vezes inspirando pelo nariz e expirando pela boca, aprofundando o máximo que puder a sua respiração.
Preste atenção a todo o seu corpo e relaxe todas as partes doloridas ou tensas e repita a seguinte afirmação:

“Na imensidão de tudo o que SOU, declaro que faço parte de um Universo abundante, amoroso e saudável. Estou disposto a mudar sempre. Aceito tudo o que SOU e desperto a natureza real em mim.
Entrego-me ao fluxo natural da Vida acreditando que todas as soluções virão à mim ou através de mim.
Aceito um novo olhar e um novo modo de viver feliz e pleno.”

Passe então a agradecer, agradeça como se estivesse contando a alguém sobre o que lhe faz sentir amor e gratidão.
Temos sempre muitas razões para agradecer, a vida em si é um milagre!

Ao terminar de agradecer abençoe o seu dia e as pessoas com as quais vai encontrar em sua imaginação ou abençoe o seu descanso, o seu corpo, a sua casa, os seus familiares.

DURANTE ESSES SETE DIAS procure não pensar em seus problemas, mas em como será bom quando eles estiverem solucionados e enquanto pensa ou imagina, experimente repetir: “Eu aceito a solução” ou “Estou feliz pela solução”.


Esse programa pode ser feito também por tempo indeterminado, após 21 dias ininterruptos os resultados são bem mais visíveis e claros, afinal promover uma mudança em nosso interior é como plantar uma semente, para que um dia se veja as flores, precisamos cuidar com muito carinho do “vir à ser” que é a semente.
Acreditar, desejar, persistir, cultivar e plantar sementes são coisas que ninguém além de nós mesmos, pode fazer.
Como disse no início do texto é uma “caixa de primeiros-socorros” , use-a sempre que precisar!

Desejo um jardim lindo, gestante e também florido em seu coração!
Um abraço fraternal,

Adely

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Nossa eterna e falida tentativa de controlar a vida...



Tal como tentar segurar a água que desce ladeira abaixo em dia de tempestade, é tentar segurar o fluxo da vida.

A vida é o que é, já que as pessoas e as circunstâncias são retratos fragmentados do nosso mundo interior.

Não adianta ficar brigando com a vida e com as pessoas, o negócio é encontrar meios de mudar dentro da gente o que atrai os desafios.
A vida não muda só para atender aos nossos caprichos, nem as pessoas mudam para agradar a gente, se mudam não é de verdade, é só algum tipo de manipulação emocional, que no futuro vai custar caro.

As ilusões que povoam nosso mundo mental são incontáveis, nos fazendo insanamente crer que somos capazes ou responsáveis por controlar como as coisas devem ser ou acontecer.

Com freqüência também deliramos em determinar como as pessoas devem se sentir ou o que devem dizer.

Quantas vezes na vida você ficou frustrado porque alguém não disse o que você precisava ou queria ouvir?
Eu? Infinitas vezes!!!

Com o tempo inevitavelmente, na disputa de braço com as lições da vida, vamos percebendo que não temos as ferramentas emocionais necessárias para lidar nem com o menor dos acontecimentos do nosso cotidiano.
Passamos a ter medo da vida, medo do novo, medo da mudança, medo do prazer, medo do “outro”, medo dos laços.

A verdade é que somos muito pouco preparados para a vida, para o jogo de cintura que a vida exige da gente, você não acha?
O medo é algo muito forte em nossa cultura.
Temos medo da vida da mesma maneira que temos medo da morte. O problema é que poucos estamos conscientes disso.

Temos medo da alegria, porque acreditamos que ela deveria ser linear, constante e interminável.
Temos medo da alegria simplesmente porque um dia ela pode desaparecer.
Sonhamos com relacionamentos utópicos ( tipo comercial de TV, onde todo mundo é jovem e feliz para sempre), empregos sem gente chata e difícil, harmonia familiar eterna ( tipo comercial de “Doriana”).
A vida não é linear, é caótica e cheia de surpresas. Se não fosse assim não seria “vida”! Você já viu alguma coisa na natureza que não se transforma?
Então algumas vezes achamos que é melhor não ter para nunca correr o risco de perder.
Gente é difícil mesmo! Muda da água pro vinho, acorda de “saco cheio”, volta a ficar numa boa.
O problema é que a gente leva tudo muito a sério: o que o outro disse, o que não disse, o que fez, o que não fez...
A vida? É essa imprevisível corda bamba, onde ou a gente aprende a ser flexível e se equilibra, ou se estatela no chão, ou no fundo do poço, para ser mais precisa.
A diferença é que o equilibrista de verdade, levanta, sacode a poeira, toma um Doril no dia seguinte e começa tudo outra vez.

Temos medo porque no fundo não mantemos uma relação de confiança real com aquilo que chamamos de Força, Deus ou Natureza.
Às vezes parece mesmo que acreditamos muito mais na “tendência natural” das coisas ao fracasso, do que na probabilidade do sucesso.
O bem, o bom e sucesso são naturais, e não o oposto.
Nossas “programações mentais” insistem em nos alertar sobre todo aquele “pacote de bobagens”, com o qual fomos bombardeados desde o nosso nascimento: “A vida é dura!”, “Tome cuidado, pois o perigo está em todos os cantos”, “Você tem que se sacrificar muito para ter o que deseja.”

De fato parece verdade, até o dia em que a gente decidir criar novas maneiras de olhar para tudo isso.
A vida é exatamente como determinamos ( inconscientemente!) que seja.
Sei que quando estamos sofrendo é muito difícil e até revoltante pensar assim, mas essa é a única alternativa que nos propicia um poder interior que com persistência, humildade e determinação pode mudar qualquer coisa.
Se nos acreditamos sofredores, pobres e indefesas vítimas de um “karma”, ou da “ ira divina”, ou de qualquer tipo de azar ou castigo, a posição que assumimos é de completa submissão e incapacidade de mudança.
Do contrário, se ousamos aceitar a nós mesmos como os construtores do nosso próprio caminho teremos sem dúvida, que suportar a dor implícita nessa responsabilização, mas, automaticamente começaremos a buscar maneiras novas de olhar e de nos relacionarmos com aquilo que chamamos de “problemas”.

Lembra-se de quando você era criança e sua professora lhe dava um problema de matemática ou ciências para RESOLVER? O que fazia?
Tentava resolvê-lo, ou perguntava para o colega como fazer ou simplesmente desistia dele e voltava para o seu “mundo imaginário”, não é?
Aposto que não ficava o resto do dia reclamando com seus colegas sobre o problema, nem chegava em casa brigando com todo mundo por causa dele.
Aposto que minutos depois você já o havia esquecido e voltava a se divertir com os seus colegas.
E agora que somos adultos, o que fazemos quando temos um “problema” em nossa vida?
Mais do que pensar nas soluções, sofremos dias e noite a fio, pensando e remoendo muito mais o problema, do que buscando soluções.
A vida praticamente pára, a alegria desaparece e passamos a “ser o problema”.
O problema de verdade é que muitas vezes nos acostumamos com as tensões interiores desencadeadas pelos “problemas”. Ficamos viciados em tais tensões, as incorporamos ao nosso comportamento natural. Tem gente que não sabe viver sem transformar tudo num grande problema, você já notou?
O que não percebem é que as tensões emocionais a longo prazo se tornam crônicas e aí a pessoa precisará reaprender emocional e corporalmente a ser leve e feliz. Nosso corpo através da sua expressão e movimento retrata fielmente nosso mundo interior.
A alegria assim como a infelicidade estão visivelmente estruturadas e estampadas em nossos corpos.

Na verdade, temos medo da vida e de tudo porque acreditamos no bem e no mal, como duas forças distintas, sendo que uma parece uma recompensa pelos bons comportamentos e o outro um castigo pelos pecados ou escolhas erradas.

Se fomos feitos à Imagem e Semelhança, como a Força castigaria a Si Mesma?

Se temos livre-arbítrio ( que significa liberdade de escolha e experimentação), como podemos ser castigados por escolher errado?

A mim parece tudo muito contraditório!

Creio que nós mesmos de maneira inconsciente nos punimos e nos castigamos especialmente se fomos muito punidos e castigados na infância.

A vida é exatamente como nós a escrevemos. Escrevemos nosso roteiro futuro todos os dias, e na maioria das vezes de maneira inconsciente.

A maneira como fomos tratados é exatamente a maneira como inconscientemente nos tratamos, e através dessa “formatação” também, atraímos as circunstâncias que estampam como achamos que merecemos ser tratados.

Não adianta ficar lutando para controlar a vida, numa expectativa de acertar sempre e não sofrer nunca.

Errar, o que é errar? Se prestar atenção as situações passadas em que acha que errou, o pior não foi ouvir as críticas, mas sentir a angústia e o desespero pela culpa e pela autopunição (orgulho ferido)

Outra razão pela qual tentamos controlar a vida é por nossa imaturidade em lidar com o “NÃO”. Óbvio, todos detestamos o “não”.

Porém, alguns buscam saídas alternativas para solucionar a situação, outros esperneiam sentindo-se completamente rejeitados, enquanto outros buscam maneiras de “dar o troco” ( o famoso: “Ele(a) vai ver quem eu sou...”).

Tal crianças carentes e birrentas associamos quase tudo a rejeição e abandono.

E aí sem dúvida alguma, a vida fica difícil, sem graça, pesada e perigosa.

A vida é o que desejamos inconscientemente que ela seja. Quando digo “desejamos”, me refiro a como fomos “programados” para que ela seja.

Criamos e recriamos antigos padrões mentais na tentativa de curá-los.

A vida é uma corrente de energia, da qual somos expressões e extensões.

Ao invés de tentar controlar essa corrente de energia, o melhor que temos a fazer é aprender a encontrá-la em nosso interior.

A mente é apenas confusão e tumulto. As respostas estão no Eu Profundo e Real.

Mais do que lutar contra algo, encontrar o caminho de volta ao EU, de volta ao LAR, é a única alternativa possível e real.

Arrisque-se a acreditar que a vida está a seu favor e descubra partes de si mesmo que geram os sofrimentos que as vezes são chamados de “destino” ou “azar”.

Tenho absoluta certeza do Amor que flui em cada um de nós e do quanto esse Amor trabalha ainda que em silêncio para que sejamos cada dia mais felizes.

Os milagres da vida estão diariamente ocultos em pequenos detalhes, que raramente são percebidos.

Mas a vida e o próprio viver são sem dúvida, um milagre constante, basta que tenhamos “olhos para ver”.

Que a Vida flua em cada um de nós com intensidade!

Um abraço fraternal,

Adely

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Criando realizações


Mais um ano novo começando e parece crescer aquela eterna questão: “E agora como fazer as coisas serem diferentes?”
Estive nos últimos dias meditando sobre essas questões, criei muitos instantes de silêncio pra mim e a única coisa que ressoava era a seguinte frase: “Mente. Tudo é Mente. O Todo é Mente”.

Sinto que essa é uma hora de abrir os braços para a renovação, abrir os portais da mente e perceber que é lá que se encontram todos os limites e as correntes que nos aprisionam aos padrões destrutivos do passado.

Não existem problemas que não nasçam e não existam através da mente.

Problemas materiais, espirituais ou emocionais têm sua origem na mente e através dela também encontram a solução.
O Real é óbvio e simples! (Ouvi isso de uma menina de 17 anos, uma velha alma!).
Como ela mesma me “revelou”: “É óbvio, se você pensar muito sobre uma coisa, você vai criá-la!”.
O que ela não sabe, em sua inocente ilusão, é que pra nós, “cansados de guerra”, isso não é nem tão óbvio, nem tão simples assim!
Estamos como que “formatados”, encaixados em moldes mentais, viciados em emoções destrutivas, reféns dos nossos próprios pontos de vista.

A vida é como um palco, onde se desenrola uma peça teatral.
Somos os autores e também os atores dessa peça.
Contracenamos com outros atores além de nós, mas eles também estão apenas seguindo o roteiro que criamos, são como reflexos do ego que os criou. Sairão do palco ou assumirão outro personagem, se assim escrevermos no roteiro.
Como autores e diretores de nós mesmos, decidimos também os cenários em que se passa nossa peça.
O roteiro é escrito com pensamentos e imaginação. Os personagens expressam nossas emoções e reações. Os cenários, as circunstâncias de vida em que escolhemos atuar.

Você já notou como os autores escrevem suas peças observando comportamentos humanos e personagens da vida real? Claro que algumas vezes são geniais e escrevem sagas nunca antes imaginadas, porém, na maior parte das vezes o mundo imaginário é um retrato da vida real, não é?

Dessa maneira também nós escrevemos nosso próprio roteiro, olhando além de nós, repetindo os personagens e os cenários registrados em nossos arquivos subconscientes. Repetimos personagens, diálogos e cenários da nossa primeira infância.

Se você se vê nesse momento em meio a uma cena da qual deseja se livrar, a primeira coisa a fazer é olhar pra si mesmo como o autor do seu próprio roteiro. Sei que isso não é fácil, mas é libertador saber que não é uma questão de azar ou de vingança divina.
Lembre-se de que o ator só sai de cena quando o roteiro assim o determina. Ou seja, suas emoções serão exatamente as mesmas, enquanto os seus pensamentos forem os mesmos. Os personagens expressam apenas as emoções desencadeadas pelos diálogos do roteiro. Não tente mudar o que sente, mude o que pensa, mude o seu ponto de vista, amplie o seu olhar, abandone o desejo de lutar, de brigar ou de sofrer.

Aposto que você sabe exatamente o que não quer mais, não é?
Agora, por favor, perceba se aquilo que você deseja, tem a mesma clareza em sua mente, respondendo as seguintes questões:

1)Você sabe exatamente como quer se sentir?
2)Acredita-se plenamente capaz de alcançar tal objetivo?
3)Tem em sua mente as cenas que deseja viver com clareza e realidade?
4)Pensa na situação resolvida com a mesma intensidade com que pensa no problema?
5)Responsabiliza alguém pelo que está vivendo?
6)Espera que alguém mude para solucionar seu problema?

Se você respondeu “não” para as questões de 1 a 4, ou “sim” para as últimas duas, é provável que você ainda não esteja escrevendo o roteiro certo que deseja viver.
Seus pensamentos ainda não estão sintonizados com a solução, estão apenas recriando os velhos diálogos.

Se estiver disposto a refletir um pouco mais sobre o que você deseja, pegue uma folha de papel e escreva no topo dela:

“Quais são os meus pensamentos a respeito da situação que desejo abandonar?”

Anote tudo, inclusive os pensamentos que costuma ter quando reflete sobre a situação.
Ao terminar de escrever, perceba como se sente: sensações boas, caminhos certos. Sensações ruins, rota de fuga, caminhos de dor!
Esses pensamentos são suas crenças a respeito da situação, e é isso que você precisa reescrever.
A melhor maneira de reescrever o roteiro é através das “afirmações positivas”.
Afirmações positivas são como novos diálogos no roteiro, cujos diálogos os atores levarão certo tempo para decorar e incorporar as emoções correspondentes.
O que fazem os atores nesse caso? Ensaiam! Repetem e repetem até que o texto esteja decorado e as emoções sejam automáticas e reais.
Crie frases simples e afirmativas que gerem os sentimentos contrários a situação que deseja solucionar.
Se você puder gravar algumas dessas frases e ouvi-las repetidamente antes de dormir ou/e ao acordar ajudará seu subconsciente a registrar as mudanças que deseja realizar. Experimente esse exercício durante pelo menos 30 dias consecutivos e depois você me conta os resultados!
Não poupe também a sua imaginação, crie as cenas que deseja, entre nelas, crie detalhes e sinta o que deseja sentir como se fosse realidade. Você pode também escrever um roteiro, contando detalhadamente como deseja que as coisas sejam.
Lembre-se apenas de não incluir como as pessoas “deveriam se sentir”, porque cada um é dono do seu roteiro, e isso já é muita coisa!

Um roteiro feliz pra você em 2009!

Um abraço fraternal,

Adely

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um pouco de fantasia!

Às eternas crianças que moram em nossos corações...sonhar é preciso!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Cigano- Djavan

Amiga,
Estou feliz pelo lindo e penoso trabalho pessoal que realizou em 2008. Pude ver bem de perto seu amadurecimento...fases de Saturno são sempre assim!
E posso dizer que vc passou por tudo da melhor maneira que poderia passar, nada poderia ter sido melhor, você fez o melhor! Estou torcendo por vc, por vocês!

Uma homenagem a esse seu amar...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

FELIZ 2009!!!

Uma linda mensagem..."Receita de Ano Novo"- Carlos Drummond de Andrade


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Meus desejos

Eu que sei que pouco sei,
Não pretendo explicar e,
Nem mesmo compreender,
O Inexplicável,
Que só deseja ser vivido.

Habito meus palcos,
Todos eles,
Em busca de um mandarim,

Que cante o sopro,
Do Inevitável em mim.

Não pretendo compreender,
O que só posso viver,
Juro que não quero nem mesmo saber,
A direção do rouxinol no alvorecer.

Vivo na certeza de que sempre haverá,
O sol e os rouxinóis.
E se os rouxinóis desaparecerem,
Sei que se transformarão,
Em azuis borboletas,
Ou quem sabe em estrelas perfeitas.

Mas o Sol,
Sei que ele estará lá,
Exatamente lá,
Como sempre esteve,
E como eternamente estará.

Pretendo apenas que alvoreça,
Que de todo por fim amanheça,
E que do resto todo eu me esqueça,
Para apenas sentir,
O amor dos seus raios em mim.

Viver a vida a farejar,
Pra que tanto pensar,
Se isso me oprime e tortura?
Meu faro é bom,
E o seu também é.

Pretendo chegar mais perto da vida,
E da gente,
Intenção singela e suprema,
De olhar de verdade,
Como só bicho faz.

Olhar e deixar a alma,
Trazer em sussurros de sensações,
As verdades do Ser que a mente,
Jamais seria capaz de decifrar.

Pretendo ver o sol,
O sol que há em mim,
O sol que há em ti,
O sol que em tudo habita.

Sim, confesso que tanta luz me assusta!
Não o assusta também!?

O desafio da Luz é a sombra,
Mas a sombra não é de todo escuridão,
É apenas o impulso da vida,
Brincando de esconde-esconde,
Tentando ser o que não parece
Mas que no fundo sabe que é.

Como pode a Lua viver sem o Sol?
Ou o Sol sem a serena beleza da Lua?

Inevitável é olhar para mim,
E para todas aquelas fileiras empilhadas,
De caixinhas repletas de ilusões e amarguras,
Que costumamos guardar em nossos porões.

Com o sol forte chamando,
A Alma lá pra fora,
O Olhar verá o porão,
Ainda mais empoeirado e escurecido.

Extrema força que traz a lucidez,
Que já não mais oculta,
O vislumbre da Luz que em tudo faz morada.

Pretendo sonhar mais e reclamar menos,
Amar mais e pensar menos,
Pensar o bastante para falar menos,
Falar o bastante para ouvir mais,
Ouvir mais para sentir o necessário.

Pretendo romper com todas as minhas,
Ocultas maneiras de criar afastamento,
Entre a vida e eu.

Quero brincar mais e descobrir outras cores,
Um novo olhar é como uma nova cor,
Quero um olhar ilimitado e uma mente de expectador.

Pretendo aprender coisas novas,
Ou apenas redescobrí-las.
Criar maneiras novas,
De transmitir as velhas lições,
Amar ainda mais tudo o que faço,
Pois esses são os frutos do meu espírito.


Resumindo: “Quero desenvolver ainda mais a minha habilidade de ser feliz!”
E você o que quer para 2009?

Meu desejo é que você encontre no Natal e no Ano Novo, a lucidez necessária para olhar para o Sol que você naturalmente já é.
Talvez existam algumas nuvens ocultando os raios desse Sol.
Se houverem, siga o exemplo do vento. O que ele faz com as nuvens?
Lembre-se: as nuvens são como pensamentos, crenças que nos mantém isolados e nublados.
Sopre forte sobre as ilusões, sobre a tristeza crie furacões, aproveite e jogue também o passado bem no meio de um ciclone de renovação.
E depois, quando tudo passar, que o vento sopre suave sobre a sua pele, trazendo o abraço sereno da brisa que acolhe amorosamente os raios do sol.

Que a sua vida seja serena, calorosa, plena, alegre, divertida, saudável, realizadora, amorosa e próspera.

Que o Sol brilhe muito em 2009 e sempre! Feliz 2009!!!

Um grande abraço fraternal,

Adely


Dicas para 2009

Planeta regente do ano: Sol
Chakra: Cardíaco ( relaciona-se com a capacidade de sentir o amor e com a qualidade desse sentimento)
Cores: Verde Esmeralda e Rosa ( Lilás também é uma cor indicada para o ano!)
Características do Sol: individualidade, auto-reconhecimento, auto-estima, criança interior, criatividade.
Bloqueios do Ego: arrogância, agressividade, egoísmo, isolamento, auto-anulação, cobiça.